As Letras estiveram no seu horizonte, chegou mesmo a cursar História, mas a Música impôs-se - e Luís Pacheco Cunha, hoje, é violinista, professor de violino e música de câmara no Conservatório Nacional.
No centro da sua "intervenção", a música clássica. Sem exclusivismos, sem fundamentalismos, no entanto. Porque gosta de trabalhar em pluridisciplinaridade. O seu último trabalho em CD é disso prova.
Chama-se "Dancing fiddle - Danças", o CD, e reúne peças de compositores tão desencontrados no tempo e na tonalidade como Schubert, Stravinsky, Paganini, Wieniavsky, Falla, Arthur Benjamin (com a peça que o celebrizou, Jamaican Rumba), Aaron Copland, Bela Bartok e Fernando Lopes-Graça.
"É um projecto [Danças] - contou à Agência Lusa - um bocadinho fruto da pluridisciplinaridade em que gosto de trabalhar. Nasceu como um espectáculo coreográfico".
Várias cumplicidades foram necessárias para o levar a cabo. De um lado, músicos, e, do outro, algumas das bailarinas e alguns dos coreógrafos da Escola Superior de Dança.
O resultado - música de câmara tocada e dançada - foi dado a ver e a ouvir em vários pontos do país. O CD lançado, com etiqueta da Numérica, "resume" tudo em som.
"Ficou - esclarece Luís Cunha - este repertório que é muito influenciado pelas danças e, não sendo dança no sentido estrito do termo, é musica erudita que, na sua génese, tinha um movimento coreográfico".
Com ele no CD emparceiram o pianista Eurico Rosado, companheiro destas andanças há muitos anos, o clarinetista Luís Gomes, mais recente na colaboração, e José Diniz, guitarrista, com quem há anos mantém de pé o Duo Paganini.
De pluriscidiplinaridade falando ainda, Luís Cunha tem experimentado outras associações. Por exemplo, com o Teatro - na produção musical de "Orfeu", de Gluck, no Trindade, com encenação de Miguel Moreira, um trabalho a que se refere com entusiasmo - com a Multimédia, Teatro e Dança - na série "Música para pais e filhos", no CCB, que se lembra de ter esgotado salas durante "10 meses a fio" - e, ainda, para eventual exasperação de fundamentalistas, com o Fado.
E anuncia que vai repetir, no Fado. Com Mísia. Foi com a fadista que entrou no projecto (dela) de homenagem a Carlos paredes - "Canto" -, com ela gravou os álbuns "Drama Vox" e "Lisboarium" e com ela preparou, estando pronto para ser lançado, um álbum novo, "Ruas".
É, descreve, o resultado de "uma ideia engraçada de Mísia, que foi procurar autores de rock, de música ranchera mexicana, etc, música com afinidades emocionais e espirituais com o fado, e fez o disco". Com a voz de Mísia, violino, guitarra e viola, "Ruas" já nas discotecas.
Entre um disco e o seguinte, ao ritmo difícil de uma produção discográfica a braços com múltiplos constrangimentos, não apenas financeiros, Luís Cunha dá aulas no Conservatório. "Uma vertente muito importante da minha actividade sempre foi o ensino. É coisa que me dá muito prazer fazer", assegura.
Entre um disco e o seguinte, o concertista sobe ao palco que o reclame e toca."Mas é complicado - diz -. Esta actividade depende muito do funcionamento do mercado e não há mercado de concertos regular em Portugal. Há salas que fazem, sim, muito mais do que há 15 anos, mas não há uma rede de salas".
Toca a solo, com outros, com o seu parceiro do Duo Paganini e com o Quarteto Lopes-Graça, este último um projecto que conseguiu impulsionar no âmbito do Conservatório. Explica assim a opção: "Sempre achei que as escolas de referência deviam ter um agrupamento de câmara de referência associado. Com o grupo, temos vindo a fazer um esforço no sentido de promover a música de matriz autoral portuguesa e é essa a imagem que tentamos firmar".
O Quarteto - Luís Cunha (violino), Anne Victorino d' Almeida (violino), Isabel Pimentel (Viola) e Catherine Strynckx (violoncelo) - gravou recentemente uma obra que lhe dedicou o compositor António Victorino d' Almeida e duas de Lopes-Graça. O trabalho está já disponível.
Nov
04
2009
Violinista Luís Pacheco Cunha em "Danças" com nove compositores
Categoria: Indústria/CulturaFonte: LUSA
Publicidade
Publicidade